18 Sep 13

Como anda a sua saúde?

Saúde express
Por Luciana Vieira

corda_bamba

Londres é uma cidade bastante difícil para se viver. Aqui nem todos podem ter o conforto que temos em São Paulo, porque andar de carro é inviável, mas o metrô e os ônibus vão para toda parte e funcionam bem. Então quem é que precisa de carro? Passar muito tempo em transporte público cheio (não abarrotado como é em São Paulo, diga-se de passagem), principalmente no metrô (sem ventilação) tem suas desvantagens. A gente precisa estar com o sistema imune forte para não pegar um dos milhões de vírus que ficam passeando ao nosso redor. Juntando isso ao fato de que aqui já chegou o inverno no começo de setembro (hoje de manhã estava fazendo 12 graus quando saí de casa), já temos formula perfeita: frio + sistema imune em baixa = vírus fazendo a festa.

Continue Lendo >>

Se você encontrou algum erro neste texto, por favor, mande sua sugestão de correção aqui.
12 Sep 13

Gerenciando o estresse

Artigos
Por Luciana Vieira

Hoje resolvi falar sobre o estresse porque nesta semana vivi uma situação que me deixou ansiosa por dias. Embora para alguns possa parecer algo simples, anteontem foi o primeiro dia de aula da minha filha. E aqui na Inglaterra (pelo menos na escolinha dela), não existe período de adaptação. Eu sabia que podia ficar um pouco, mas teria que me despedir, sair e ir embora.

Eu vim ensaiando esse momento por vários dias, talvez meses. Pensei o que ia falar, como achava que devia reagir, que caras eu ia fazer etc. Pensei até como deveria me controlar se tivesse vontade de chorar na hora. Ou seja, passei uma eternidade me preocupando, vivendo situações imaginárias.

olivia_e_mamae

Olivia no primeiro dia de aula

Gerenciando o estresse

Agora que tudo passou, estou aqui escrevendo e pensando o quanto foi inútil passar tanto tempo imaginando o que iria acontecer. Nada foi como eu esperava. Fui embora e ela ficou lá feliz, brincando. Na saída me deu um abraço, um beijo e ainda disse que gostou da escola.

Eu sempre fui muito estressada e sofro muito por antecipação. Essa forma de lidar com meus problemas me trouxe (e mesmo agora ainda me traz) muitos prejuízos. No passado, quando estava submetida constantemente ao estresse (e me alimentava mal, é importante acrescentar), vivia cansada, doente e mal humorada. Naquela época achava que a culpa era do meio, dos problemas no trabalho, dos motoristas sem educação, do call center que me deixava pendurada no telefone. Hoje, felizmente, entendo que o problema é meu. Nem sempre consigo aplicar esta regra a risca, mas ter consciência disso já é um bom começo.

Qual o efeito do estresse no sistema imunológico?
stress imunne systemNão vou entrar no detalhes aqui, mas gostaria de me aprofundar em um assunto: o efeito do estresse sobre o sistema imune.

Estresse é a reação do organismo a qualquer estímulo que perturba o seu equilíbrio. Quando o equilíbrio de vários hormônios é alterado, o efeito destas modificações pode ser prejudicial para o sistema imune. Vários estudos mostram que participantes estressados submetidos a vírus acabam por contrair doenças ou sentem mais severamente os efeitos de um ataque por vírus do que aqueles que não estão sob estresse. Até mesmo portadores de HIV desenvolvem ou não AIDS dependendo do quanto se sentem estressados.

Como podemos evitar o estresse ou mesmo atenuar seus efeitos prejudiciais?

Meu antigo professor de macrobiótica (Simon Brown) preparou uma apresentação recentemente sobre o tema. Achei sua abordagem simples e direta e vou traduzir a lista que ele preparou, incluindo alguns comentários…

Atitudes que nos ajudam a lidar com o estresse: Viver o presente momento, meditar, colocar as coisas em perspectiva, parar de (se) questionar (por) tudo, ter expectativas mais flexíveis, não tirar conclusões precipitadas e ter a mente aberta.
Como eu gosto dessa coisa de viver o momento! É claro que deixei a ansiedade me controlar quando fiquei preocupada com o primeiro dia de aula da Olivia, mas acho que mesmo assim “sofri” muito menos do que teria sofrido antes de entender o significado desta atitude. Comecei a me interessar por mindfulness (gosto do termo em inglês porque diz muito com tão pouco) quando resolvi fazer meditação para passar o dia menos tensa e dormir melhor. Passamos a vida inteira nos lamentando pelo passado ou sofrendo pelo futuro e o presente está aí, na nossa frente, e simplesmente passamos por ele pensando em outras coisas. Eu me lembro bem de um exemplo de um livro (citado ao final deste post) que diz mais ou menos o seguinte: você chega em casa a noite pensando em tudo, menos em onde você está deixando suas chaves. No dia seguinte você perde 10 preciosos minutos procurando as chaves perdidas porque você não estava vivendo o momento presente quando chegou em casa. Aí você sai atrasado, mal humorado e seu dia é péssimo porque uma coisa vai levando à outra! E tudo começou porque você não estava atento ao que fazia quando entrou em casa no dia anterior!

Mindfulness é uma maneira de tornar-se totalmente imerso em uma atividade, em vez de em seus pensamentos sobre outras coisas. Eu acho esta uma ótima opção de meditação para pessoas ocupadas. Ao mesmo tempo em que você precisa relaxar de certa maneira e se focar, você não precisa parar tudo o que está fazendo e fechar os olhos, por exemplo, como exige a meditação. Em atividades simples, como tomar um chá, caminhar ao ar livre, lavar a louça ou mesmo durante uma reunião de trabalho você pode poupar sua mente de processar 200 coisas alheias ao que você está fazendo. Basta fazer as coisas com atenção e observar o que está acontecendo. Uma sugestão: faça isso 10 minutos por dia, mesmo que dividindo esses minutos em 10 momentos diferentes se preciso. Um dia tem 1440 minutos. É mesmo tão complicado usar 10 minutos do seu dia para que os outros 1430 sejam mais felizes? Com isso você consegue “descansar” sua mente do bombardeio de pensamentos a que somos acometidos a cada minuto.

mulher_toma_cha

Se você tem disciplina e consegue encaixar em sua rotina, a meditação também é excelente para “descansar” a mente. Não sou expert em meditação, mas posso dizer por experiência própria que sua prática regular faz muita diferença no nosso dia a dia. A gente se sente menos cansado, dorme melhor e aprende a viver mais no presente. Há muitas técnicas de meditação. Se você ainda não experimentou e não sabe como se faz para meditar, entenda que não é possível esvaziar sua mente, como muitos pensam ser o objetivo da meditação. O pensamento é coisa natural, assim como a nossa respiração. O que aprendemos e no que nos tornamos cada vez melhores, é a focar a atenção em uma âncora (no caso da meditação que eu mais gosto, esse apoio é a respiração) toda vez que nos dispersamos. Falei que devemos ter disciplina porque é necessária a prática regular para sentirmos seus efeitos.

Seguindo com a lista do Simon, os sentimentos que nos livram do estresse: amor, admiração por pessoas e coisas, bom humor, calma, auto-confiança, segurança, estar em controle.

meditando

Em contrapartida, todas as atitudes e sentimentos que agravam o nosso estado de estresse são justamente os opostos ao que já falamos, portanto, viver no passado ou no futuro, ser rígido demais, reclamar, fazer tudo correndo, entre outros, só fazem piorar nossa condição.

E agora um tema que me interessa bastante: Alimentos que potencializam e amenizam o estresse. Estão no primeiro grupo: café, açúcar, pimentas fortes, álcool, aditivos, dieta não variada, dieta não saudável e, no segundo, chás de ervas (pouca cafeína), saladas, frutas e sopas de legumes doces (como este creme de abóbora).

refinados

Alimentos refinados também impactam o sistema de forma negativa

Se você tem acompanhado este blog, mesmo sem ter tido contato anterior com a macrobiótica, viu que sempre falo em energia do alimento e como ela impacta a nossa própria energia. Sendo assim, é importante sabermos escolher os alimentos corretos e procurarmos evitar os que nos ajudam menos.

Sobre Mindfulness (ou viver o momento presente), li um livro recentemente que eu absolutamente adorei: “Life With Full Attention” de Maitreyabandhu.

 

Se você encontrou algum erro neste texto, por favor, mande sua sugestão de correção aqui.
16 Jul 13

Alergias e Resfriados

Artigos
Por Luciana Vieira

casal_resfriado
Os resfriados normalmente chegam com força total no final do verão e durante o outono. Segundo a macrobiótica, o corpo começa a se livrar dos excessos a que foi acometido durante o verão. Em tempos mais quentes naturalmente temos mais vontade de comer alimentos que esfriam o corpo, como é o caso das saladas, frutas, sucos, bebidas frias de um modo geral, normalmente contendo açúcar. Todos esses excessos, além de esfriarem o corpo também o desmineralizam, nos tornando assim mais propensos a pegar um resfriado ou descarregar a mucosidade acumulada por meio de alguns tipos de alergias.

Para evitar que fiquemos doentes no final do verão devemos reduzir a quantidade de alimentos que nos esfriam e nos debilitam. Além disso, é importante que preparemos nosso organismo para a chegada do frio, ingerindo alimentos ricos em minerais e reforçando nosso sistema imune.

Devemos começar a reduzir, antes que se acabe o verão, a quantidade de saladas e verduras cruas que ingerimos. Devemos gradativamente aumentar a ingestão de caldos leves, refogados rápidos de verduras, verduras assadas, etc. Assim se consome verdura visando aquecer o organismo para que pouco a pouco ele se torne mais preparado para enfrentar o frio que vem pela frente. Tais formas de cozimento também vão reforçando a digestão e melhorando a absorção de minerais.

sopa_misso

sopa de misso (missô ou missoshiru) é uma boa opção para ajudar nosso corpo a se preparar para o inverno. É um prato leve, facilmente tolerado no verão e pode ser preparado de várias formas. Se feito da maneira correta, o miso (ingrediente tradicional da culinária japonesa feito a partir da fermentação de arroz, cevada e soja) conserva suas propriedades probióticas, auxiliando na digestão e fortalecendo nosso sistema imunológico.

Antes do final do verão já devemos começar a reduzir a quantidade de doces e sobremesas que comemos. Devemos até mesmo começar a diminuir a quantidade de frutas, já que mesmo as frutas, por conterem alto nível de açúcar (frutose) acabam por acidificar nosso organismo, debilitando-nos. Além disso, segundo a macrobiótica e Medicina Chinesa, possuem uma energia capaz de esfriar nosso organismo. Cozinhar as frutas, fazendo compotas, ajuda a mudar a energia do alimento.

Comece a investir nos chás mais naturais. O Kukicha (conhecido como Ban-chá no Brasl) é uma boa dica para ser consumido a partir do final do verão (e durante ele também). A macrobiótica costuma indicá-lo como um chá de consumo diário. O Bancha e o Chá Verde são provenientes da mesma planta, porém têm suas diferenças. O verde é feito com folhas mais novas e o Bancha é produzido a partir de folhas que permanecem no pé, no mínimo, três anos. O Bancha contém, assim, menos cafeína e tanino, o que lhe confere um sabor mais fraco, porém tem praticamente as mesmas propriedades terapêuticas do Chá Verde. Entre as principais propriedades do Ban-chá, estão seus poderes de alcalinização do sangue e seu alto teor de sais minerais, incluindo o cálcio.kukicha_varios_japoneses

Esses mesmos cuidados devem ser observados quando se viaja de um lugar quente para outro mais frio. É o que acontece quando passamos o verão no Brasil e voltamos para Londres durante o inverno. A família toda fica doente quando não temos tempo para nos preparar para a volta. É um verdadeiro choque para o organismo, que não conseguindo se adaptar rapidamente à nova condição climática, deixa de atacar os vírus que estão por aí, já que o sistema imune está bastante reprimido.

Em resumo, o que se pode fazer:

  1. Diminua as saladas e verduras cruas, passando a consumir mais verduras cozidas e/ou assadas;
  2. Diminua os doces e as frutas cruas. Podemos cozinhar um pouco as frutas (compotas) para mudar a energia do alimento;
  3. Tome Sopa de Misso;
  4. Tome Ban-chá.
Se você encontrou algum erro neste texto, por favor, mande sua sugestão de correção aqui.
Up