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Alimentação e hábitos saudáveis como medicina

O que é esta tal dieta Paleo?

Quando este post foi publicado pela primeira vez (Março de 2014), ainda não tinha vivenciado na prática a dieta Paleo e tinha tido contato com a teoria havia pouco tempo. Hoje, quase um ano depois, já tendo praticado a dieta por alguns meses, tenho uma visão mais clara dos seus efeitos. No final deste texto, agora eu listo o que eu acho que foi positivo e o que não funcionou muito bem pra mim. Espero que ajude quem está pensando em adotar esta dieta e quem já a pratica e está se perguntando o que pode estar dando errado.

Não faz muito tempo que ouvi pela primeira vez a expressão Paleo Diet. E quando ouvi pensei que devia se tratar de algo do tempo das cavernas, imaginei pessoas comendo carne crua, vivendo em lugares remotos, longe dos supermercados e restaurantes “fast food”. E foi engraçado porque ouvi falar sobre isso e de repente todo mundo estava falando a respeito desta dieta. Na faculdade, na rua, até o cabeleireiro já tinha experimentado algumas receitas. Resolvi então investigar o assunto e no meio da minha pesquisa conheci uma pessoa que já tinha adotado esta dieta e estava tratando seu filho com ela.

O que é essa tal dieta Paleo?

homem_cavernas_hamburg

Como acredito que você não esteja interessado em entender em detalhe o que os antropologistas falam sobre o que faziam nossos ancestrais e o que exatamente eles acreditam que eles comiam, vou direto ao assunto.

Na prática, o que essa linha entende é o seguinte:

  • Doenças modernas como diabetes, obesidade, câncer, auto-imunes e cardíacas eram raras, talvez até nem existissem no mundo Paleo e ainda são bastante raras em tribos de caçadores, por exemplo, que preservam a dieta e um estilo de vida tradicional.
  • Quando os alimentos modernos, como farinha de trigo, óleos vegetais (ex.: soja) e açúcar foram introduzidos nessas populações, a incidência de doenças modernas subiu proporcionalmente. E quando esses grupos retornaram ao estilo de vida tradicional, as doenças modernas desapareceram novamente, o que parece provar que não é a vulnerabilidade genética que leva a população moderna a sofrer todos os males mencionados acima.
  • Já se sabe o necessário sobre dietas ancestrais para garantir que elas são superiores à dieta moderna. E também já se sabe o suficiente, baseado em pesquisas modernas, que alimentos como farinha, óleos vegetais e açúcar não devem ser consumidos.

Homem Paleo Evolução

Com base nisso, fazem parte desta dieta a proteína animal e gorduras (de boa qualidade, claro), verduras, alimentos fermentados, leite não pasteurizado quando tolerado (este faz parte só dos que seguem a chamada Primal), frutas, oleaginosas (ex.: macadamias) e sementes com moderação. Claro que eu não preciso dizer que esse tipo de alimentação é todo calcado na comida de verdade (“real food”), altamente nutritiva e minimamente processada.

Na minha pesquisa ouvi falar muito sobre coisas tão distantes do minha dieta diária: caldo de frango e de carne caseiros (aqueles do tempo dos nossos avós, que ficam 24 horas cozinhando no fogo baixo), ovos, “shakes” de abacate e óleo de coco…

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e além disso carne, carne, carne. E tem mais, cereais nem pensar, especialmente trigo, cevada (lá se vai a cerveja) e centeio, já que estes grãos contém glúten, uma proteína que tem sido excluída de muitas dietas já que muitos de nós não a toleram devido a anos e anos de alimentação incorreta (e também pelo fato de que o glúten de hoje não é mais o mesmo glúten da época dos nossos avós, mas isso é assunto para outro post).

gluten_free

Gosto bastante da base teórica desta dieta. Acredito na sua eficácia para tratamento de doenças modernas (assim como também acredito que a macrobiótica funciona – como funcionou para mim), mas entendo que não é algo sustentável a longo prazo. Explico: para tratar autismo, dislexia, depressão, esquizofrenia ela pode ser de grande ajuda porque se entendemos que o que causa essas doenças (ou piora sua existência) é o fato de que vivemos num ambiente tóxico, nos alimentamos de comidas tóxicas e de baixo valor nutricional, esta dieta nos ajuda a fazer uma limpeza interna, além de preparar o aparelho digestivo para conseguir digerir e assimilar nutrientes. Talvez para os casos já mencionados, esta deva ser uma dieta para a vida toda (ainda não tenho opinião sobre isso), porém, para aqueles que se valeram dela para recuperar a flora intestinal e se recuperar de problemas digestivos, acredito que a transição para uma alimentação com menos proteína animal e talvez até menos gordura seria mais indicada.

E depois de tanto ouvir falar e estudar o assunto, resolvi dar a essa dieta uma chance e introduzir alguns de seus conceitos na minha alimentação. Em Minhas Aventuras no Mundo Paleo conto minha experiência.

Os comentários abaixo foram inseridos em 21/02/2015, um ano após o artigo original ser publicado:

Já faz um pouco mais de 6 meses que adotei muitos dos princípios da dieta Paleo. Descobrir que existem várias linhas de “seguidores”, alguns praticam a dieta com respeitando algumas regras básicas para evitar perdas de nutrientes, fazem combinações de alimentos mais “inteligentes” etc. Outros simplesmente se aproveitam do fato de que a proteína animal e a gordura saciam a fome de verdade e não engordam e exageram um pouco. Alguns se dizem Paleo e consomem derivados do leite, outros buscam na farinha e no leite coco uma forma de substituir aquilo que deixaram para trás (ex.: farinha de trigo e leite de vaca). A verdade é: a menos que a pessoa consiga seguir uma dieta equilibrada, comendo de tudo em moderação e com variedade, uma hora a conta vai chegar. Se você está se perguntando se esta dieta pode ser boa para você, espero que a lista abaixo possa te ajudar. Aqui listo o que eu considero positivo, aquilo que não deu muito certo para mim e quais alterações que eu fiz e ainda continuo fazendo para me manter saudável.

O que eu gosto sobre esta dieta:

Só se come Comida de Verdade (nada de processados);
É fácil e rápido de preparar;
Os pratos tem muito sabor: gordura e proteína animal;
São apenas 3 refeições por dia: se deixar você esquece da próxima refeição (os níveis de açúcar no sangue permanecem estáveis e você não sente fome);
É fácil para se virar quando se come em restaurante;
É muito fácil perder e/ou manter o peso.

O que é importante saber:

Se bobear, você passa da quantidade de proteína animal recomendada (regra geral: 0.8 g por quilo de peso; e saiba que 25% do seu filé é proteina: file 100g = 25 g proteína); 
Excesso de nuts (oleagenosas) pode prejudicar a absorção de outros nutrientes* (como o ferro, por exemplo): Leia em Minhas Aventuras no Mundo Paleo o que foi que eu errei;
Para alguns, comer ovos todos os dias pode ser cansativo;
Preparar um prato sem proteína animal exige criatividade (já que a opção feijão com arroz não existe);
Para quem quer seguir uma dieta deste tipo, é preciso estudar o assunto profundamente ou buscar ajuda profissional para evitar os erros que a maioria comete.
*Para que esse perda de nutrientes não aconteça, é necessário manter as oleagenosas ao mínimo necessário e, se possível, seguir algumas regras de preparação, como deixar de molho por algumas horas antes de consumi-las. Mais sobre isso em breve em outro artigo.

 

Caso queira entender mais sobre esta dieta e como ela, inclusive, vem sendo utilizada para o tratamento de doenças modernas, os livros abaixo são boas referências:

Nourishing Traditions – Sally Fallon
Your Personal Paleo Diet – Chris Kresser
GAPS – Gut and Psychology Syndrome – Dr. Natasha Campbell-McBride
Paleofantasy – Marlene Zuk

Outras fontes:
http://www.doctor-natasha.com
http://www.westonaprice.org/

 

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