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Alimentação e hábitos saudáveis como medicina

É saudável comer carne vermelha?

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Quem me conhece e/ou acompanha o blog sabe que passei anos sem comer carne. Na época em que tirei a carne do prato ainda nem pensava em alimentação saudável. Na verdade, foi a decisão de parar de comer carne que me levou a conhecer a Macrobiótica, o que naquele momento foi a linha que escolhi para me manter saudável, apesar da falta de proteína animal e das deficiências que esta escolha poderia me causar. Mal sabia eu que, provavelmente, foi a ausência do açúcar refinado e não da carne o que transformou minha saúde.

Com a Macrobiótica descobri um mundo totalmente novo. A possibilidade de manter a saúde por meio da alimentação, aprendi estratégias para tratar doenças, dei muita opinião na vida dos familiares e amigos, me tornei até uma Macrochata, pois acreditava que aquela vida era tão boa, que todo mundo tinha que ao menos experimentá-la. O tempo foi passando e embora eu já tivesse transformado a alimentação saudável em um hábito, fui descobrindo novas teorias e experimentando outras possibilidades. Descobri, por exemplo, que o ferro que assimilava com uma dieta predominantemente vegetariana não foi suficiente para me recuperar da perda de sangue que tive durante o parto da Olivia, percebi que enquanto amamentei, precisei comer frango algumas vezes por semana para produzir mais leite e, mais recentemente, senti que aquele tipo de dieta (predominante, mas não mais totalmente vegetariana) ainda estava me deixando deprimida, muito cansada e bastante irritada.

Recentemente, na Universidade, quando comecei a estudar nutrição de forma “mais técnica” passei a questionar muito a Macrobiótica. E, pra mim, foi muito difícil me convencer de que havia falhas em sua teoria. O primeiro tabu que eu quebrei foi com o ovo. Na macrobiótica uma pessoa nunca come um ovo inteiro. Ele deve ser dividido para toda uma família por razões que já mencionei no blog e não faz sentido entrar no detalhe aqui. Primeiro comecei a comer ovo, depois frango algumas vezes por semana, e a mais nova mudança é que voltei a comer carne vermelha.

Às vezes é muito difícil saber o que se deve comer e o que não se deve, tamanha é a quantidade de informação conflitante que nós recebemos. Mesmo pessoas que estudam o assunto se confundem porque a quantidade de profissionais renomados falando coisas totalmente opostas é muito grande. Imagino como deve ficar a cabeça da pessoa que não é da área. Provavelmente vai tomar a decisão de não se importar, exatamente como eu fiz por tantos anos.

Então aqui eu vou contar porque decidi voltar a comer carne.

É saudável comer carne vermelha?

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Estudos recentes que mostram que a carne provoca morte prematura parecem ser falhos em vários aspectos conforme sugere Zoe Harcombe (1). Num deles, os dados coletados para realização do estudo, foram colhidos na forma de questionário, em que os participantes respondiam perguntas sobre o que comeram no passado. O que geralmente acaba causando confusão neste tipo de estudo é que no grupo das pessoas que comem mais carne, também é maior o índice de obesidade, tabagismo, consumo de álcool e falta de exercício, fatores que também contribuem para diminuir a expectativa de vida e os resultados acabam não sendo confiáveis.

Porém, estudos que comparam consumidores ferrenhos de carne àqueles que restringiam a carne nas suas dietas, negam a hipótese de que carne causa ditas doenças. Ao contrário, apontam que esses indivíduos mantém baixo peso mais facilmente, possuem menos problemas cardíacos e tem baixíssimo risco de contrair diabetes. Algo que parece ser verdade também é que o vegetariano acaba sendo mais consciente na hora de escolher o que colocar no prato e é o que mais tem hábitos saudáveis de vida. Ele acaba tendo melhor saúde quando as pesquisas são realizadas, mas pelo que pude averiguar, não pelo fato de não comer carne, mas por fazer melhores escolhas (normalmente bebe menos, come menos, ingere menos açúcar, se cuida mais).

Quando li recentemente uma pesquisa australiana de 2012 (2) que concluiu que mulheres que evitam carne vermelha apresentam maior risco de desenvolver depressão, resolvi prestar mais atenção neste assunto. Passei a pesquisar mais e vi que esta conclusão pode ser encontrada em vários outros estudos. Este assunto realmente me interessou porque depois que a Olivia nasceu comecei a me sentir mais triste, com menos energia e bastante cansada. O nível de energia que eu tinha já não era mais condizente com a alimentação saudável que eu mantinha. Todos os meus professores, sem exceção eram contra o vegetarianismo e/ou exclusão total de carne da dieta. Parecia que alguém estava querendo me dizer alguma coisa!

Eu estava cansada de me desdobrar para conseguir assimilar a quantidade de ferro necessária para me sentir bem. Ele é facilmente assimilado quando se come carne, mas o mesmo não se pode dizer quando a dieta é predominantemente vegetariana. Depois que adotei uma dieta saudável, nunca mais contei calorias… mas passei a “contar” a quantidade de ferro que eu comia. Isso tudo era muito chato!

Porém, é preciso ficar atento, porque o alto consumo de carne vermelha também está relacionado ao aumento nas taxas de depressão. E para isso ainda aplico uma das coisas que aprendi na Macrobiótica, mas que se trata apenas de bom senso. Variedade e moderação. Buscar variedade no prato é uma forma de evitar o consumo exagerado de qualquer alimento.

E deixo para vocês o que encontrei nesta pesquisa. O consumo moderado e, portanto, saudável, seria de cerca de 200 gramas de carne, de 3 a 4 vezes por semana. É importante sempre lembrar que os efeitos no organismo diferem quando ingerimos carne vermelha de animais criados em CAFOs (concentrated animal feeding operations – confinados por longo espaço de tempo em áreas em que não cresce vegetação) e dos orgânicos, criados soltos, se alimentando de grama a maior parte dos dias do ano. Estes contém mais nutrientes, maior quantidade de Ômega 3 e gorduras de melhor qualidade, enquanto os primeiros apresentam maior contaminação e gorduras menos saudáveis. Sendo assim, procurar saber de onde vem a carne que você está comprando é mais importante do que muitos pensam. Aqui na Inglaterra os açougues parecem bem familiarizados com estes conceitos. Os termos orgânico, criado solto e comendo capim são bastante utilizados e muitos parecem entender sua importância.

E você? Come carne vermelha? Você acredita que ela é importante para sua saúde? Você acha que as pessoas se preocupam com a qualidade da carne que elas consomem?

 

Fontes:

Dr Mercola Junho 2012

(1) Zoe Harcombe, Março 2012

(2) Jacka F, N, Pasco J, A, Williams L, J, Mann N, Hodge A, Brazionis L, Berk M, Red Meat Consumption and Mood and Anxiety Disorders. Psychother Psychosom 2012;81:196-198. Disponível em: http://www.karger.com/Article/FullText/334910

 

Fotos: Shutterstock.com

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