19 Sep 15

Por que meu filho não come?

Alimentação Infantil
Por Luciana Vieira

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Minha amiga Kate Knowler escreveu essa semana em seu blog sobre “fussy eaters”, crianças que dão trabalho pra comer verduras e legumes e me fez pensar: “por que eu não tive essa ideia antes?”.

Eu, sabendo da importância da boa alimentação, errei feio quando comecei a introduzir sólidos para a Olivia. Na época estava super tensa porque achava que meu leite podia secar a qualquer momento e sentia uma urgência em fazer com que ela aprendesse a comer vários tipos de verduras e frutas em um curto espaço de tempo. Errei primeiro porque tive pressa. E depois, porque inventava mil cardápios e opções diferentes para garantir que ela comeria bem alguma coisa. Pensava que dessa forma ela aprenderia a ter prazer para sentar pra comer em vez de querer correr daquele momento como muitas crianças pequenas fazem quando olham para um brócoli.

Por que meu filho não come?

Ela hoje tem 4 anos e acho que só tranquilizei minha alma agora. Desencanei quando vi que a diversidade alimentar dela não depende dos nossos (meu e já há algum tempo da Luci, que me ajuda muito com isso) esforços. Tudo é uma questão de exemplo e disponibilidade.

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Quanto ao exemplo, não preciso nem entrar no detalhe. Ela só come mais verduras e aceita mais os verdes agora porque desde que nasceu nos vê comer verduras de todos os tipos, cores e formatos em todas as refeições.

Quando digo disponibilidade, me refiro ao alimento ser apresentado diversas vezes. Ele está ali para ela comer. No começo eu colocava no prato e fazia mil estrepolias para que ela o experimentasse… E fui vendo que isso não resolvia… Houve um tempo em que erroneamente deixamos de colocar em seu prato os alimentos que sabíamos que ela não comeria. Primeiro, para poupar o estresse de vê-la protestar contra aquela beterraba e depois porque afinal a gente gastou um tempo para prepará-la para finalmente ter que jogar tudo fora (ou comer aquilo que já estava meio cuspido e amassado).

Sempre soube que “quem tem fome come”, mas achava que minha filha ia morrer de inanição se não comesse alguma refeição. Finalmente aprendi que ela come muito melhor na próxima se deixar algo intacto em seu prato. Agora se não quer comer, não come. Na verdade ela sempre come alguma coisa porque tem fome, já que nunca come fora de hora. Não quer comer o repolho: “ok, coma o que quiser”.

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Nigel Latta em seu livro The Politically Incorrect Parenting Book explica que são necessárias de 17 a 20 exposições ao alimento para que a criança finalmente venha a comê-lo. E mesmo quando a criança já come uma quantidade, mesmo que limitada de verduras, por exemplo, muitos pais erram acreditando que a criança não gosta mais de um alimento e pára de oferecê-lo quando ela rejeita algo que antes comia bem. Isso faz com que a criança fique cada vez mais seletiva e estreite cada vez mais o leque de opções. Quando isso acontece é importante entender se se trata de algo simples como descrevi acima ou se é algum outro distúrbio, conforme descreve a teoria da Dra. Natasha Campbell e sua dieta GAPS (mais sobre isso em um próximo post).

E por fim, devemos aceitar que nossos filhos parem de comer a hora que não têm mais fome em vez de ensiná-los a comer tudo o que está no prato. Segundo Nigel Latta, e acredito nessa teoria, adultos obesos limpam seus pratos, parando de comer só quando não resta nada a sua frente e os que não têm qualquer problema com obesidade param quando percebem que estão “cheios”. Nigel sugere que nós, mães, sejamos como os pais, que seriam mais relaxados por natureza porque se alguma coisa dá errado, a culpa é mesmo da mãe. O Roberto sempre me disse “relaxa, ela comeu alguma coisa afinal. Quando tiver fome, ela come”. E não é que ele sempre esteve certo?

 

Resumindo:

  1. Quem tem fome, come.
  2. Para comer, a criança precisa ser exposta ao alimento cerca de 20 vezes.
  3. Seja o exemplo e coma muita verdura e alimentos saudáveis na frente dela.
  4. Ensine a criança a parar de comer quando está satisfeita.

 

 

Livro mencionado acima:

The Politically Incorrect Parenting Book – by Nigel Latta

 

Blog da Kate. Vale a pena dar uma olhada no texto:

http://www.allergytest-london.co.uk/2015/09/18/how-i-got-my-kids-to-eat-and-love-their-vegetables/

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