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Alimentação e hábitos saudáveis como medicina

Palmas para a Bela Gil!

Não sou seguidora da Bela Gil, nunca assisti a seus programas embora alguns amigos do Brasil já tenham falado sobre o ótimo trabalho que ela tem feito. Mesmo não tendo muitos detalhes da sua trajetória, não poderia deixar de passar por aqui para registrar minha solidariedade, como mãe, entusiasta e proponente da alimentação saudável, não só para crianças.

Para quem não leu/viu nada a respeito, na semana passada ela postou em seu Instagram uma foto do lanchinho que a filha ia levar para a escola: “granola caseira, batata doce, banana da terra e água” e recebeu várias críticas mal educadas de alguns de seus quase 330 mil seguidores. Alguns comentários sugeriam que ela devia colocar toddynho e bolacha Ana Maria “para a menina crescer como gente normal” ou então “imagina o tanto de bullying que a filha da Bela Gil deve sofrer por levar batata doce pra escola… Nossa cadê os danones? E os salgadinhos?”.

Com muita alegria, hoje de manhã li a Resposta da Bela Gil às críticas, a essas pessoas e a muitas outras que provavelmente nem pensaram em criticá-la. Achei que ela foi brilhante porque soube dar um tapa na cara sem tocar em ninguém. Ela se defendeu sem ofender. Ali ela dizia que enxergava a alimentação como ferramenta para construir um mundo melhor… que ela preparou aquela “merenda” para a filha porque a menina realmente gosta de batata doce e banana da terra e completou dizendo que além disso ela queria que a filha se lembrasse “que o sabor da infância era um sabor natural do Brasil e não de alguma formula artificial fabricada em laboratório”; que por se preocupar com a saúde da filha não queria viciar seu paladar em alimentos industrializados, que ela não considera alimentos, como achocolatados e biscoitos recheados, já que tenta evitar “deixar a minha filha dependente de uma indústria”, buscando “educá-la para ser independente”, para “preparar o próprio alimento e escolher o que quiser para comer no jantar”; e além de tudo isso não produziu nenhum lixo com o lanchinho da filha, fez a granola em casa e as cascas da banana e da batata viraram adubo para sua horta, “porém, se tivesse colocado uma caixinha de achocolatado, um pacotinho de bolacha água e sal e uma barrinha de cereal industrializada, seriam mais 3 embalagens jogadas no lixo que levariam milhares de anos para desintegrar.” E segue falando o quanto acredita que os valores estão invertidos na sociedade, que entende que saúde é ter mais hospitais e não enxerga a alimentação saudável como um investimento e garantia de qualidade de vida…

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Palmas para essa mulher, que eu nunca vi/ouvi falando e já merece o meu respeito. Entendo totalmente sua postura e suas crenças. Sofro, em menor escala, os mesmos preconceitos e comentários engraçadinhos de amigos que não entendem que uma criança possa ser feliz comendo alimentos naturais todos os dias e não se empanturrando de açúcar, seja no lanche da escola ou na sobremesa em casa. Faço parte de um grupo de mães no Facebook e sempre encontro coisas como “sempre comi açúcar, biscoito, salgadinho… e estou aqui… se fosse tão ruim assim já tinha morrido”. Eu ainda vou fazer uma pesquisa informal para saber qual é a porcentagem de pessoas na faixa dos 30 que cresceram e ainda vivem num mar de açúcar e coca cola (como eu mesma já contei que cresci) que continuam com saúde. Quando digo saúde não falo de ausência de doença, falo em energia e bem estar, de acordar a mil e pular da cama às 6 da manhã sorrindo depois de dormir perfeitamente bem por 8 horas seguidas e passar o dia feliz, com a mente equilibrada e com disposição até a hora de se deitar novamente… Claro que existem casos raros de pessoas que vivem até os 80, 90 e 100 anos, fazendo mil estrepolias, comendo e bebendo de tudo e mais um pouco, mas isso como disse, é realmente uma exceção. Normalmente a pessoa vai passando dos 30, chegando aos 40 e o corpo vai dando sinais de exaustão: alergias, problemas hormonais, dores de cabeça, insônia, depressão, obesidade e mais adiante, problemas cardíacos e cânceres para apenas citar alguns. Não estou aqui dizendo que quem se alimenta bem nunca vai ficar doente porque existem outros fatores importantes, como a toxidade do meio (ambiente e da própria casa) e a toxidade dos pensamentos também… mas esses estão se dando uma chance muito maior de envelhecer com saúde (sem remédio e com disposição de sobra).

Quando eu opto por não dar, a cada oportunidade, açúcar para a Olivia, que agora já vai fazer 4 anos e vê os amiguinhos comendo doces, sorvetes e croissants todos os dias, eu penso que estou fazendo um bem para ela. Porque ela vai sim crescer mais um pouco e começar a comer tudo o que ela quiser. Provavelmente vai comer certas coisas até passar mal, mas ela vai saber que aquilo não é alimento e vai acabar voltando para o que ela está acostumada. Isso já foi provado. O paladar se forma justamente nesta idade. Eu mesma, com tudo o que estudo, vejo e sei sobre alimentação, sempre tenho uns repentes de comer alguma coisa que sei que não é saudável. Em geral tenho vontade de comer o que comia na infância, como Paçoquitas, bolacha Maizena, bolinhas de amendoim e aí vai. Se eu não tivesse conhecido esses “alimentos” enquanto era ainda tão nova talvez hoje não me importasse com eles. E tem mais, pare de dar açúcar por 1 semana para uma criança (faça esse teste com você, também funciona) e veja o que acontece com seus níveis de energia e humor. Tudo muda positivamente. Muitas vezes aquela criança nem é hiperativa, como diz o diagnóstico médico. Seu comportamento é efeito do açúcar (para não dizer óleo vegetal, gordura de péssima qualidade, excesso de sódio, dentre outros).

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Muitas críticas que recebo vem na forma de “mas está de férias, que mal faz?”, “é só de vez em quando, não mata ninguém”… O que acontece quando a gente começa a dar açúcar de vez em quando são pelo menos duas coisas: o paladar fica viciado e a criança (e o adulto também) não consegue mais apreciar o sabor doce natural dos alimentos e a oscilação dos níveis de açúcar no sangue causam ainda mais cravings (vontade desesperada de comer algo) por carboidrato (açúcar), que é uma fonte rápida de energia. Outro comentário que ouço é “coitada, privá-la do prazer do doce”. Não vou aqui discutir esse mérito, mas sempre penso que o vinho também me causa prazer e não é por isso que eu vou dá-lo a minha filha. Talvez uma mãe não dê vinho a seu filho porque ele vicia, mas o açúcar vicia mais e causa mais mortes porque ataca disfarçado. Não leva o rótulo de alcoolismo, mas de obesidade, diabetes, doenças cardíacas e vasculares.

Fiquei feliz ao ler a resposta da Bela Gil porque sendo uma formadora de opinião (não gosto deste termo, mas não encontrei outro), ela consegue ajudar muito mais respondendo de forma inteligente do que revidando. Espero que esse episódio tenha valido para mudar a visão de alguns sobre a importância desse tema para o futuro dos nossos filhos.

 

 

2 comentários
  1. Maria Carolina 15 Jul 2015 | 17:36

    Ótimo texto. Tenho tentado mudar meu paradigma em relação à minha alimentação e de meus filhos, pois também cresci em meio a um mar de açúcar, salgadinhos e bolachas recheadas. Confesso que é bem difícil mudar, mas não desisto. Beijos

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    • Luciana Vieira 16 Jul 2015 | 19:34

      Oi Maria Carolina. Realmente não é fácil. Dependendo da idade dos filhos, essa deve ser uma “briga” constante. E de fato, é preciso “lutar” de forma bem pacífica, se não a arma se volta contra a gente. Acho que a solução é ter criatividade para inventar versões bem saborosas e ir educando pouco a pouco. De preferência antes de eles virarem adolescentes, porque aí ninguém segura mais! Beijos

      Responder
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