12 May 14

Festinha de Criança

Alimentação Infantil
Por Luciana Vieira

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Estou por esses dias concentrada em organizar a festinha de 3 anos da Olivia. Imaginem a minha situação: defensora da vida “sem açúcar” planejando uma festinha de aniversário de criança! Que desafio!

Já fizemos vários testes de docinhos (não tão doces), alguns deles estão até mesmo aqui no blog, mas a última da Sheyla foi o brigadeiro de copinho feito sem açúcar nem leite condensado utilizando biomassa de banana e cacao “cru” (que por não ser cozido a alta temperatura, preserva todos seus benefícios) sem nada, nadinha de açúcar refinado!

Depois da festa eu vou publicar um post com o resultado e as fotos dos “docinhos”. Espero que muitas mães se animem a promover festas com comidinhas mais saudáveis já que este movimento depende de nós (e dos pais dos amiguinhos dos nossos filhos, é claro…), então alguém precisa dar o primeiro passo, não é mesmo?

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Qual é a minha experiência com essas festinhas?

Tenho ainda pouca experiência como mãe e a Olivia é minha única filha, então eu talvez ainda mude de idéia e/ou perceba que o que vou falar aqui não tem mais aplicação no futuro, mas por enquanto a gente vem conseguindo administrar bem o que ela come, mesmo nas festinhas dos amiguinhos.

Não sei se vocês sabem, mas aqui na Inglaterra não existe o costume de servir tanta comida ou tanto doce em festa de criança. Primeiro porque aqui festa de criança é para as crianças. Normalmente o que eles servem (quando servem) desde o início da festa são legumes em palito, como cenoura, tomatinho cereja, mozzarelinha de búfala, essas coisas. Aí cantam parabéns (e muitas vezes o bolo é terrivelmente colorido com ingredientes que eu nunca consegui decifrar) e servem alguns cupcakes (tipo um bolinho parecido com um muffin, normalmente não muito saudável). A Olivia adora comer os legumes e os queijinhos pré-festa. Na hora do bolo ela fica tão distraída com o barulho, as bexigas e as pessoas que ainda não entendeu que às vezes eles servem AQUELE bolo, onde estão enfiadas as velinhas… E na hora do cupcake ela esta se divertindo com algum brinquedo e acaba nem querendo saber o que são aqueles bolinhos coloridos.

Com a Olivia, a gente fica meio de olho, administrando o que vai parar na mão dela. Alguns pais me perguntam como é possível mantê-la longe dos doces, contam que a partir de uma certa idade tudo fica mais difícil. Eu entendo e acredito, mas também observo o seguinte:

  1. Criança pequena, se nunca vê os pais comendo chocolate e açúcar, não vai nem se ligar que o que está rolando na festa é AQUILO…
  2. Muitos pais acreditam que vão privar o filho “daquela delícia” (que para o filho não significa nada porque ele nem sabe o que é AQUILO)…
  3. Outros pais comem doces e coisas não saudáveis sem mesmo perceber que estão comendo e ao mesmo tempo continuam colocando pedaços de doce na boca de seus filhos (que muitas vezes são tão pequenos que ainda não sabem segurar AQUILO sozinhos)…

Para aqueles que ainda pensam que estão privando o filho de algo, tentem encarar a situação como você encara o álcool. Por que você não dá uma taça de vinho pro seu filho ou um gole de cerveja? Não preciso falar aqui sobre as várias razões de cada um. Pelo menos uma delas vai se aplicar também ao açúcar. Pense nisso. Quando eu deixo de dar um doce não saudável para a Olivia experimentar, não estou pensando no efeito que AQUELE pedaço específico vai ter no organismo dela… Sim, porque um pedacinho não vai ter qualquer impacto, já que ela normalmente tem uma dieta muito saudável… Estou pensando no impacto futuro, no quanto ela vai cada vez mais acostumar seu paladar a alimentos mais doces e o quanto aquele doce vai se tornar corriqueiro pra ela.

Esconder a comida e dizer que seu filho não pode comer aquilo também não é uma boa política.

E isso pode ter um efeito contrário.

Eu me vejo nesse impasse na escola em que ela está. Quando fazem pizzas e coisas do gênero não a proíbo de comer. A única exceção é quando levam aqueles bolos com coberturas indecifráveis (principalmente as de cor azul) que comentei acima… como ela ainda não se dá conta de que o conteúdo do pratinho dela é diferente, nesse caso eu peço pra professora dar a ela um snack saudável que eu deixo na mochilinha dela toda semana… Daqui alguns meses talvez essa técnica não funcione mais e aí eu terei que pensar em outra saída até que ela tenha idade suficiente para decidir o que quer comer. Nesse dia, nada mais vai funcionar, só o que ela “aprendeu” até lá. Por isso digo que nosso exemplo é importante e também o que a gente ensina (dizendo o que não faz bem e porque não faz bem, não apenas privando a criança de comer).

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Ontem tive uma prova de que a criança dá preferência ao que aprendeu a comer em casa quando a relação dos pais com a comida é saudável.

E digo, sem medo de parecer “pedante”, que nos encaixamos nesse grupo porque comemos comidas deliciosas e saudáveis e saímos da linha de vez em quando. Eu NUNCA deixo de comer doce quando quero e NUNCA me privo de chocolate quando tenho vontade. Da mesma forma tento tratar o assunto com a Olivia. Nunca tirei nada da mão dela que ela quisesse comer… mas também nunca dei a ela nada que eu considerasse não saudável.

Ontem fomos a uma festa de aniversário da amiguinha de 3 anos. Havia uma recreação que ajudava as crianças a cozinharem as próprias comidinhas. Fizeram um donut sem açúcar e assado (tipo de pão que tem um furo no meio, sabem?), uma pizza de queijo com “puff pastry” (aquela massa que se separa em migalhas) e cookies com gotas de chocolate… Tudo aquilo, quando pronto, foi colocado na frente das crianças, num pratinho. Ela comeu super bem o donut (porque parece pão e ela já comeu algo parecido em casa). A pizza ela experimentou, mas não gostou (não é o tipo de massa que comemos em casa porque leva muito açúcar). Ela aprendeu a gostar de fruta. Sobremesa, para a Olivia, é fruta. Na hora dos cookies ela estava mais preocupada com as frutas que estavam do outro lado da mesa, que acabou deixando tudo no prato para comer as uvas e as frutinhas vermelhas. Na hora do cupcake, como falei, ela estava brincando com outra coisa…e  também já estava tão satisfeita que não precisou comer mais nada.

Agora, uma coisa que temos que considerar é a seguinte: quando ela nos via comendo alguma coisa era verdura ou fruta. Esse é o exemplo que ela normalmente tem. Talvez seja mais fácil controlar a criança quando o exemplo vem da gente. Talvez eu esteja errada e ainda não cheguei na fase em que muitos pais sentem que perderam o controle. Talvez. Até lá a gente vai se planejando e fazendo festinhas de aniversário “sugar free”.

Em julho coloco no ar artigo sobre a festinha dela. Espero que dê certo!

Como você gerencia esse assunto com seu filho? Você sente que é difícil fazer sua parte quando os amiguinhos fazem festinhas cheias de doces e levam bolo de aniversário para a escola? Até quando você conseguiu controlar o que seu filho comia nas festinhas?

 

> Encontre aqui a receita mencionada acima
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2 comentários
  1. ADRIANA 03 Jun 2014 | 18:50

    Lu!!Achei o maximo esse artigo!!Sabe que estamos juntinhas nesse desafio!!Tive o prazer de experimentar o bolo de banana sugar free!!!Delicioso!!E muito dificil controlar o acucar para meus filhos por exemplo…tenho 3 (9,5 e 2 anos)meu esposo ama acucar :( nao sou fanatica mas tbem gosto de um bolinho doce…portanto depois de ter comido esse de banana realmente vi que podemos definitivamente ter uma vida mais saudavel sem o acucar que pra mim e um dos alimentos que mais causam a obesidade e problemas de saude….confesso que tomar esse passo e muito importante e dificil,mas aqui esta vc para nos ajudar!!Obrigada e a festinha da Olivia sugar free sera um sucesso!!!!

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    • Luciana Vieira 04 Jun 2014 | 11:04

      Dri, obrigada pela mensagem! Realmente é um desafio, mas é absolutamente possível. O segredo está em reeducar, inclusive o paladar. As crianças já maiores são mais resistentes, mas com persistência e alguma estratégia, elas se acostumam e passam a apreciar o açúcar natural contido nos alimentos. A festa vai ser sim um sucesso! Estou contando com vc! Beijos

      Responder
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